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Fluidos refrigerantes alternativos: panorama, perspectivas e produtos

Com o avanço no Protocolo de Montreal na região da América Latina, os profissionais do setor de refrigeração e ar condicionado estão buscando cada vez mais informações sobre fluidos refrigerantes alternativos.

Nesse sentido, é importante mencionar que novos parâmetros de análise do desempenho ambiental desses produtos estão sendo adotados no mundo. Um deles é o conceito TEWI, sigla em inglês para Total Equivalente do Impacto no Aquecimento, que contextualiza em um escopo mais amplo a conhecida sigla ‘GWP’ (Potencial de Aquecimento Global). Os especialistas assinalam que o TEWI é medido pela massa do total equivalente de gás carbônico (CO2) resultante da soma do impacto direto gerado por um vazamento de fluido refrigerante no sistema e do impacto indireto pelo consumo energético dos equipamentos.

Outra medida que está sendo adotada mundialmente para identificar e quantificar o impacto ambiental direto e indireto é o LCCP - Life Cycle Climate Performance. Nessa medida são incluídos o impacto no aquecimento global (ton CO2 equivalentes) em todas as etapas do ciclo de vida do produto, ou seja, desde a sua fabricação, transporte, uso, reciclagem e destinação final.

Um exemplo de uso desses conceitos pode ser observado com alguns fluidos refrigerantes encontrados no mercado, denominados de naturais, que apresentam baixo potencial de aquecimento global, como os sistemas a base de CO2 que possuem impacto no aquecimento global direto realmente bastante baixo. Porém, se somados o impacto indireto (TEWI) ou impacto total no ciclo de vida de produto (LCCP), em alguns casos e aplicações podem ter impacto maior que os fluidos HFCs, isto porque o consumo de energia e o impacto indireto pode ter peso mais significativo que o impacto direto.

Além de aplicar esses novos conceitos para o gerenciamento sustentável dos sistemas de refrigeração e ar condicionado, a questão das propriedades de segurança do fluido refrigerante também devem ser consideradas. Em ambientes de alta movimentação de público, por exemplo, um fluido como amônia pode representar riscos de segurança devido a sua toxicidade.

Outros aspectos importantes que o profissional precisa observar são as condições dos equipamentos, como a estimativa de vida útil e aplicação, tipo de óleo utilizado, pressão e temperatura, rendimento e eficiência energética. Verificar se realmente é necessário investir em novas instalações e na compra de equipamentos novos, ou se realizar somente a substituição do fluido refrigerante (procedimento de Retrofit) já atende as expectativas.

De posse dessas informações, já é possível que o profissional avalie as opções de produtos alternativos comercializados no mercado para tomar a melhor decisão. Para tanto, Notícias Refrescantes sugere a busca por mais informações sobre esses produtos em literaturas técnicas especializadas, dentro da aplicação que se deseja.

 

Para facilitar, reunimos na tabela as características mais relevantes de alguns alternativos para sua comparação.

 

 

Hidrocarbonetos e amônia: Apresenta boa performance termodinâmica, mas estes produtos exigem cuidados especiais devido as suas altas taxas de flamabilidade e toxicidade. Quem optar por esses produtos deve reforçar as medidas de segurança em suas operações.

Dióxido de carbono: Apresenta propriedades ambientais positivas, contudo sem oferecer o mesmo desempenho termodinâmico proporcionado pelos demais produtos. Trabalha com sistemas de altíssima pressão e requerem manutenção especializada e medidas de segurança preventivas. Performance pode ser bastante prejudicada em regiões de clima quente. Investimentos costumam também ser bem mais altos que sistemas tradicionais.

HFCs: São os fluidos refrigerantes que apresentam as características mais compatíveis com as dos HCFCs (como o R-22). Inofensivos à camada de ozônio, favorecem ainda a substituição prática e rápida dos HCFCs, pois foram desenvolvidos exatamente para essa operação. Possuem potencial de aquecimento global direto (GWP) mais altos que os fluidos refrigerantes denominados naturais.

HFOs: Compostos a base de hidrofluorolefinas, que possuem baixíssimo potencial de aquecimento global e zero potencial de degradação da camada de ozônio. Trata-se da próxima geração de fluidos refrigerantes.